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Seis passos para começar a preparação

Trancar-se no quarto, estudar muitas horas por dia, abrir mão da vida social e familiar. Esses eram pré-requisitos obrigatórios dos concurseiros para garantir uma vaga na carreira pública, mas o cenário mudou. Assim como acontece na iniciativa privada, os interessados em ocupar os car-gos no Governo, especialmente os mais concorridos e com maiores salá-rios, passaram a ter como motivação a qualidade de vida, o que tem pro-vocado uma mudança significativa na maneira de se preparar.

A nova geração de concurseiros, formada na última década, traz consigo a bagagem de novos valores diante do trabalho e do que querem para suas vidas. Essa perspectiva é somada à mudança no processo de apren-dizagem, quando passou a ser baseada no entendimento, na compreen-são da aplicação mais prática e não no “decoreba” dos conteúdos. Por isso mesmo, boa parte bancas examinadoras estão mudando a elabora-ção das provas e se focando na interdisciplinaridade. Sem contar que a própria Administração Pública não está mais interessada em ter profissi-onais que só souberam responder as provas e, sim, que saibam aplicar, na prática, os conhecimentos cobrados.

A página está sendo virada. É um processo em andamento e que ainda deixa muito candidato confuso. O primeiro teste, sem dúvida é o da pa-ciência. Uma prova de fogo para a inteligência emocional. Se preparar para os concursos é um projeto que tem data para começar, mas não tem data prévia para acabar. Sem ter referências temporais solidificadas sobre quando será a autorização, a publicação do edital, as provas ou a convocação faz com que a maioria deixe para se dedicar só quando alguma dessas informações, perdendo a chance de ser realmente competitivo.

Inteligência emocional

Capacidade de identificar as suas emoções com mais facilidade e gerenciar impulsos, canalizá-las para situações adequadas tendo empatia, automotivação. O termo passou a ficar mais comum com as publicações do psicólogo americano Daniel Goleman, com seu livro homônimo.

Como regra para os concursos federais (e aplicado na maioria dos demais concursos), o edital de abertura é publicado em até seis meses depois da autorização e, as primeiras provas, são aplicadas passados, no mínimo, 60 dias depois das regras definidas – 120 dias com as definições do De-creto Federal 9.739/2019, válido só para o Executivo federal . São delimi-tações de prazos que ajudam, mas não resolvem os altos índices de ansi-edade. Sem tempo hábil para aprender todos os conteúdos com profun-didade em tão pouco tempo, vale a premissa de começar a estudar com antecedência, sem aguardar sequer a liberação do processo seletivo.

Ainda que o sistema de seleção por meio de concurso público seja o mais isonômico e justo disponível no momento, a meu ver, há discrepâncias que atentam contra o bom senso e desequilibram os interessados. A consequência é que precisam – quase que obrigatoriamente – procurar cursos preparatórios para se preparar e nem sempre há dinheiro para esse investimento.

O exemplo mais explícito e recorrente são os conhecimentos cobrados. Além de extensos exigem conteúdos que não figuram na base curricular do Ministério da Educação, seja para ensino fundamental, médio ou su-perior. Um exemplo são as disciplinas de Direito Administrativo e Consti-tucional, essenciais para compreensão do funcionamento da Administra-ção Pública. Raros são os cursos – mesmo de graduação – que exploram o assunto, além, claro, do curso de Direito.

Aos concorrentes, restam a resiliência e determinação para aprender os infindáveis itens para quem sabe, serem cobrados nas provas. Para ten-tar driblar esse trabalho tão árduo, há estatísticas dos tópicos mais re-correntes, porém, a estratégia está perdendo seu efeito, tendo em vista que as bancas examinadoras estão mudando a cobrança, ainda mais com o hiato entre os últimos concursos e os que estão começando a ser liberados. Muitos anos se passam e muitas legislações foram alteradas, exigindo ainda mais atenção de quem fará as provas.

Equilíbrio emocional

O jogo emocional faz parte do filtro de quem vai ou não ser servidor. Um dos maiores temores é, sem dúvida, chegar na hora da prova e esquecer o que foi aprendido. O famoso “dar branco”. Só de pensar nisso, muitos até se arrepiam. E só as técnicas de memorização não têm sido suficien-tes para lidar com os altos e baixos de sentimentos.

Especialistas no assunto falam que só 10% dos que se inscrevem estão realmente preparados. É uma especulação, mas a conta faz todo sentido. A abstenção – quantidade de pessoas que se inscrevem e não comparem – é, em médio da 15% a 20%. Do percentual restante, a maioria é com-posta de “aventureiros”, interessados que se entusiasmam com a quan-tidade de vagas ou com a remuneração anunciada. Restam pouco mais de 20% que desejam, efetivamente, ocupar aqueles cargos, porém, nem todos terão tempo hábil ou dedicação para serem competitivos, ou seja, acertarem pelo menos 75% da prova objetiva.

10%

Percentual de candidatos que vão fazer as provas com chances de serem aprovados

Para chegar nesse patamar, é necessário ter equilíbrio emocional, sereni-dade e segurança para responder o que se pede no dia da avaliação. Re-quisitos que não se conquistam sem investir em autoconhecimento e inteligência emocional. Por isso mesmo, é crescente a procura por coa-ches, psicólogos e mentores. Profissionais que ajudam os candidatos a entenderem quem são diante do desafio de se preparar. Usando técnicas de produtividade, coaching, programação neurolinguística, aprendiza-gem consistente, entre outras, colaboram para que a prova seja uma mera etapa intermediária para construção de sua carreira pública.

Afinal, quantas provas você já fez na vida? Diante do compromisso de ser servidor público, a preparação exige esforço, porém, o sofrimento é to-talmente opcional. Até porque, ninguém consegue aprender o que é necessário para ser aprovado enquanto tem uma mentalidade preocupada, pressionada negativamente ou ansiosa.

A visão de que concurseiro tem que ser um robô programado para fazer provas já não cola mais. Concurseiro é gente – você é gente – e, assim sendo, tem sua parte cognitiva tão importante quanto cada um dos sen-timentos e das emoções e dos papéis sociais que exerce.

Inteligência emocional separa eternos concurseiros dos que são aprovados

Letícia Nobre

Coach e mentora de concurseiros. Jornalista, colunista da CBN Goiânia, palestrante e autora.

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